O bispo de Campeche, México, dom José Francisco González, disse depois da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez no Estado de Campeche na terça-feira (25) que quem promove e facilita a prática - mulheres, médicos e legisladores- serão excomungados da Igreja.

A descriminalização do aborto, promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Estado de Campeche, foi aprovada na última segunda-feira (24) numa sessão fechada do congresso estadual. Segundo a lei orgânica da legislatura unicameral, os legisladores são proibidos de revelar como votaram.

Com essa reforma, os artigos 155, 157, 158 e 159 do Código Penal de Campeche são modificados, permitindo a “interrupção da gravidez” nas primeiras 12 semanas de gestação e estabelecendo penas mais severas para quem obrigar uma mulher a fazer aborto.

Campeche é agora o 21º Estado mexicano a descriminalizar o aborto. Desde 1º de outubro do ano passado, quando Claudia Sheinbaum se tornou presidente do México e com seu partido de esquerda, o MORENA (Movimento de Renovação Nacional), tendo controle majoritário, oito legislaturas estaduais seguiram a mesma rota.

Nos primeiros 148 dias do mandato de Sheinbaum, os Estados de Jalisco, Michoacán, San Luis Potosí, Zacatecas, México, Chiapas, Nayarit e Chihuahua descriminalizaram o aborto até 12 semanas de gravidez. Ao todo, dois terços dos Estados do país legalizaram o aborto.

Descriminalização significa que as leis estaduais contra o aborto permanecem em vigor, mas não acarretam as penas determinadas pelo período de tempo especificado.

 

'Aqueles que apoiam o aborto' estão excomungados

Em entrevista coletiva na quarta-feira (26), dom González descreveu a decisão como “incompreensível” do ponto de vista jurídico e social, já que a votação foi feita “a portas fechadas” e em pleno Carnaval, uma das festas mais importantes do Estado.

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O bispo destacou que o Código de Direito Canônico estabelece que aqueles que apoiam o aborto “estão, por prática, fora da comunhão com a Igreja. Ou seja, aqueles que o promovem, aqueles que o fazem e aqueles que colaboram não podem participar dos sacramentos”.

Dom González disse especificamente que os que promoveram essa lei, que são católicos e apoiam o aborto, “não devem participar dos sacramentos”. O bispo os convidou a “reconsiderar e redescobrir sua fé católica”.

Aborto, um crime “particularmente grave e ignominioso”

O bispo reiterou que “entre todos os crimes que o homem pode cometer contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente grave e ignominioso”. Por isso, ele exortou à formação de uma frente pró-vida, uma vez que a vida “não deve ser protegida só pela mãe, que carrega no seu ventre, ou pelo pai, que a procriou, mas por toda a sociedade”.

Dom González disse que, se o aborto for justificado com base no fato de que o bebê é indesejado, “mais tarde, a sociedade — e não estamos longe disso — proporá fazer algo semelhante com crianças já nascidas que não se comportam bem, ou que são doentes, ou que estão enfrentando uma deficiência”, e com os doentes e idosos.

“Por fim, nenhuma vida será respeitada, por qualquer motivo que possa ser interrompida”, disse também o bispo.

“Existem realmente ações e políticas concretas para apoiar mulheres grávidas que querem se tornar mães? Existe apoio para mulheres idosas que sofrem de solidão e doença? Existe apoio para mães que sofrem com os efeitos do alcoolismo em um de seus filhos ou maridos? E que ajuda as mulheres com câncer ou diálise têm? Existe ajuda para as mulheres obterem treinamento e seguirem seu caminho nas situações desafiadoras da vida moderna?”, perguntou o bispo mexicano.

Por fim, dom González disse que a Igreja vai trabalhar em várias ações para combater a legalização do aborto no Estado, reafirmando seu compromisso com a proteção da vida desde a concepção.